O texto que se segue foi retirado da obra “O Caminho Secreto”, publicado por Paul Brunton em 1934, editado no Brasil pela Editora Pensamento e sem qualquer edição em Portugal. Neste livro, surge uma das primeiras referências no Ocidente do termo “Super-Eu” ou como veio a ser mais conhecido nas décadas seguintes: “Eu Superior”.
Além do Paul Brunton ter tido contacto com o seu Eu Superior e incitar-nos à possibilidade dessa maravilhosa conexão, ele percebeu que a meditação é a técnica mais eficaz e direta para que esse contacto seja feito por cada um de nós.
Assim, ele dedica um capítulo inteiro do livro a esta prática, designando algumas das suas particularidades como “Repouso Mental” e “Arte Interrogativa”, tentando assim descrever um método meditativo que se adapte à vida ocidental, um método de autoconhecimento, para além daquilo que é a superfície de quem somos.
Que estas palavras te inspirem a procurar esse estado de Repouso Mental, onde a Sabedoria surge de forma natural e iluminadora, a partir de uma fonte superior.
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Só na quietude pode o conhecimento do Super-eu manifestar-se. Somente em profundo silêncio interior podemos ouvir a voz da alma.
A preciosa descoberta do verdadeiro EU dentro de nós só pode ser feita quando a mente estiver em repouso; as palavras apenas confirmam a realidade, mas não a explicam e jamais a poderão explicar, pois a Verdade é um ESTADO DE SER e não uma torrente de verbosidade. O argumento, por mais inteligente que seja, não substitui a realização pessoal. Devemos experimentar se quisermos viver a experiência. A palavra “Deus” não terá sentido para mim antes de conseguir pôr-me em contacto com o Absoluto dentro de mim mesmo; só então poderei incluí-la no meu vocabulário.
Um pouco de prática leva muito longe; uma série de conferências não convencerá os céticos e cem livros não revelarão na visão interior aquilo que podem vislumbrar aqueles que aplicam fielmente o método indicado nestas páginas.
Os grandes problemas da existência individual, os sublimes tormentos da alma que assediam toda pessoa sensata, não podem ser resolvidos na região limitada do cérebro; ao passo que as respostas, plenamente satisfatórias, nos esperam no âmago sem limite do nosso próprio ser, na substância divina da nossa natureza oculta. O cérebro responde com palavras estéreis enquanto a resposta do Espírito é a vivência maravilhosa da iluminação interior. Quem deseje praticar assídua e seriamente o método de concentração mística exposto neste livro, receberá crescente confirmação, por experiência própria, da verdade da divindade do homem. As bíblias e outros escritos similares começarão então a perder a sua autoridade à medida que ele comece a achar a sua própria. Deus é seu próprio e o melhor intérprete. Encontrai Deus dentro do vosso próprio coração e compreendereis, por intuição direta, o que todos os grandes instrutores, todos os verdadeiros místicos, todos os autênticos filósofos e homens inspirados tentaram explicar pelo método tortuoso das palavras.
Jamais podereis provar ao meu intelecto o fato de que Deus, o Absoluto, o Espírito — ou como queirais chamá-LO — existe; mas podeis mostrar-me isto se minha consciência se transformar de tal modo que me permita participar da íntima percepção do Deus interno em mim.
Não há outro caminho, mas um só caminho para obtermos essa revelação íntima e sabermos simultaneamente o que de fato somos. Esse caminho consiste em passar do mundo exterior para o interior, de deixar de se ocupar com uma multidão de atividades externas para ocupar-nos de uma única atividade interna da mente.
Santo Agostinho monologava assim: “Senhor, como uma ovelha perdida que anda de um lado para outro, procurando o caminho, também eu te buscava no exterior, quando Tu estavas em mim… Percorri ruas e praças da cidade deste mundo, buscando-Te sempre… e não Te encontrei porque em vão procurava fora o que estava dentro de mim.”
Se quiserdes uma prova da vossa própria divindade, escutai vosso Super-eu. Escolhei entre as horas uma em que estejais seguramente livre de qualquer distração exterior. Estando a sós, com paciência e muita atenção escutai o que vos dirá a alma, procedendo da maneira que vou explicar em seguida. Repeti esse exercício diariamente, e um dia, quando menos esperardes, essa prova virá iluminar vossa solidão. Com ela virá uma liberdade gloriosa quando vos abrandarem os fardos das teologias ou os ceticismos forjados pelo homem.
Aprendei a pôr-vos em contacto com o vosso Super-eu e nunca mais vos sentireis atraído por essas reuniões fúteis em que os homens levantam a poeira das argumentações teológicas ou o ruído dos debates intelectuais. Se tomardes esse caminho, resolvereis o problema a sós, de forma definitiva e independente do que diga qualquer livro, seja sagrado ou secular.
Alguns chamam de ‘meditação’ este exercício, nome tão bom como outro qualquer. Proponho-me todavia a descrever uma espécie de meditação que difere, em seu princípio básico, da maioria dos métodos que me foram dados, e à qual poderei chamar com mais exatidão: REPOUSO MENTAL.
A única maneira de entender o que significa exatamente a meditação é praticá-la.
Como tudo o que tem valor, os resultados da meditação se adquirem com muita lentidão, trabalho e dificuldade; porém quem a pratica com o espírito requerido pode estar certo de alcançar a meta. Principiamos pelas provas experimentais e terminamos na experiência divina. Jogamos com a meditação e procuramos contemplar, mas um dia chegará em que nos mergulharemos na infindável beatitude do Super-eu.
A meditação é uma arte quase perdida no Ocidente. Poucos são os que a praticam e, entre esses, ainda menos os que compreendem o que estão fazendo.
O hábito de dedicar todos os dias alguns minutos para o recolhimento e o repouso mental, hoje prima por sua ausência na vida dos povos ocidentais. A vida moderna exerce sobre nós uma espécie de hipnose, apoderando-se do nosso espírito como sanguessuga do corpo. Nosso apático eu consciente aduz toda espécie de desculpas para não iniciar esta prática ou para não continuá-la, se a iniciou. Nossa personalidade a acha enfadonha, vazia ou demasiado cansativa. Esta luta inicial para vencer a repugnância do cérebro para com o repouso é talvez a mais árdua, mas deve ser travada. Contudo, é um hábito de importância vital, cujos benefícios, se praticado, não podem ser demasiado exagerados, mas, se negligenciado, conduz a tristezas e aflições.
Além das trivialidades da vida diária há uma existência mais bela e mais luminosa. Por mais que resistamos a este direito divino sobre nós durante o dia, somos incapazes de resistir ao eu interno durante o sono profundo e sem sonhos. Então somos capturados pela alma; então gozamos repouso em nossa própria natureza, ainda que inconscientemente. É este um pensamento arrebatador, e a sugestão de uma profunda verdade filosófica. Mas como poderia a multidão escrava das experiências e tumultos da vida material tornar-se consciente desta verdade maravilhosa? É por isso que os mais avisados adotam a prática diária de acalmar a mente e mergulhá-la na profunda e perdurável paz que jaz dentro de nós.
Nunca cogitamos da vida interna. Procuramos persuadir-nos de que não dispomos de meia hora para quedar-nos sentados junto à tranquila fonte da Verdade. Um momento de quietude mental é encarado como um momento desperdiçado. Daí porque as massas populares não se portam mais sabiamente durante sua multidão de dias.
Crê o mundo moderno que não há nenhuma utilidade na chamada meditação e frequentemente a condena como uma mera abstração.
Nestas páginas não estou expondo nenhum sistema complicado; apenas me empenho em descrever uma técnica simples, cujo resultado permite conhecer o que há de mais elevado em nós. Nenhum método de meditação é fácil em si, pois sua prática implica em domínio do pensamento e poucas são as coisas no mundo mais difíceis do que essa. Um método de meditação, não obstante, pode ser simples. Não há necessidade de complicá-lo com tortuosas explicações nem de apresentá-lo numa linguagem confusa.
Já foram ensinados diversos sistemas de meditação; diferentes tipos de Ioga foram esboçados tanto na antiguidade como nos dias atuais. Porém a técnica que propomos aqui para se conhecer a si mesmo não se enquadra facilmente em nenhuma dessas classificações existentes. Essa Arte Interrogativa ou de Auto-reflexão se apóia apenas em sua simplicidade, unicidade, originalidade e poder, embora certamente possua pontos de contacto com outros sistemas. Não sustento que ofereça o melhor caminho, mas, sim, afirmo que oferece um meio mais rápido e mais seguro para atingir o autoconhecimento espiritual do que a maioria dos caminhos que conheço. Os diversos ramos da Ioga, esse profundo porém muito complicado sistema indiano, são excelentes em relação ao povo e à época em que foram apresentados, mas quando considerados em relação aos povos ocidentais e às necessidades modernas, resultam evidentemente impraticáveis, salvo para uns poucos.
A inquirição do verdadeiro eu é o sistema mais simples de meditação que conheço, e é por isso o mais apropriado para as pessoas atarefadas de hoje. É mais rápido de aprender e mais simples de praticar do que os complicados sistemas de Ioga do Oriente. Pode ser vantajosamente praticado por quem quer que deseje conhecer a verdade sobre sua própria natureza. Ao levantar-vos pela manhã e depois de tomar vosso banho, o primeiro dever, e geralmente o mais esquecido — é “colar-vos” ao vosso verdadeiro eu. A maioria considera seu primeiro dever pensar em incômodos presentes, no trabalho a executar, ou nas pessoas que logo vão encontrar. Suas atividades e problemas ocupam o primeiro lugar na sua mente em vez de se esforçarem por obter aquela sabedoria que há de inspirar todas as suas atividades e solucionar todos os seus problemas. Quando Jesus disse: “Buscai primeiro o reino do céu e sua justiça, e todas as outras coisas vos serão dadas por acréscimo”, não enunciou apenas uma regra geral, mas também uma norma para cada um individualmente.
As palavras “pão de cada dia” que Jesus usou no Pai-Nosso demonstram claramente o conselho que deu aos seus seguidores para orarem ou meditarem de manhã. Nesse conselho existem profundas razões psicológicas. É pela atitude que adotamos durante a primeira hora depois do despertar, que podemos fixar a tônica das atividades de todo o dia. As atividades e os desejos da vida ainda não começaram a importunar a nossa mente.
Se cada manhã o Reino de Deus é a primeira coisa que buscamos e por sua causa sacrificamos um pouco do tempo, nosso trabalho não sofrerá nem nossos problemas serão negligenciados. A corrente contínua de força e de sabedoria espiritual que criamos deste modo fluirá através de todas as atividades e pensamentos do dia. Qualquer coisa que fizermos então a faremos corretamente; qualquer decisão que tomarmos será uma decisão justa, porque será o resultado de pensamentos mais calmos e profundos.
Aqueles que julgam uma tolice cuidar da atitude espiritual antes de atender às atividades mundanas, põem em primeiro lugar as coisas que devem estar em segundo. Para esses, como diz a escritura hindu: “Não há paz nem neste mundo nem no próximo.”
Quer dediquemos cinco minutos ou cinco horas a esta prática inspiradora da vida, nunca falha em produzir resultados notáveis de longo alcance. Não vale aplicar diariamente de quinze a trinta minutos para conseguir o equilíbrio mental e a consciência do domínio interior?
Praticar a meditação durante dez minutos ou até meia hora, uma ou duas vezes por dia, é simplesmente uma questão de hábito. A pessoa vai gradativamente se acostumando até esta prática tornar-se parte inseparável da sua vida. Na segunda quinzena será um pouco mais fácil, na terceira mais ainda, até chegar a hora de dominá-la totalmente. Mesmo o mais atarefado dos homens pode incluí-la no seu programa, de sorte que se lhes torne tão natural como tomar suas refeições. Criai o hábito e mantendo-o, e sem dúvida o seu valor começará a fazer-se sentir no progresso consciente.
O desenvolvimento espiritual não tem que ser essa coisa fortuita tão frequente entre nós, mas um esforço sério e firme. Uma prática diária e regular de meditação levará naturalmente ao progresso nessa arte. Em outras palavras: será necessário esforço cada vez menor para obter os mesmos resultados. Todo progresso depende da prática.
A meditação produzirá os maiores resultados quando é feita regularmente e todos os dias e não com interrupções, pois é algo que “impregna” gradativamente pelos repetidos esforços diários.
A prática diária do repouso mental deve ser feita tão regularmente como o comer. O hábito governa nossa vida. O homem que aprendeu o segredo de criar hábitos poderá controlar o que controla a vida. E o melhor hábito que o homem possa adquirir é o da meditação. Não somente desejo acentuar, mas reacentuar o surpreendente valor e a urgente necessidade deste hábito. Com o tempo descobrireis que o período diário da quietude mental se tornará uma almejada alegria, em vez de um dever disciplinar, como parecia no início, e não permitireis que nada interfira nele.
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O ponto seguinte a observar é que certas condições fisiológicas e psicológicas são conselháveis se se quer lograr bom êxito sem muita dificuldade. Uma postura cômoda e conveniente do corpo ajuda a mente a acalmar-se. O corpo em desconforto tende a tomar a mente intranquila.
A quietude física é o primeiro passo para a quietude mental. A postura conveniente e confortável do corpo repousa a mente e habilita-nos a iniciar a tarefa de interiorizar-nos. Dirigi-vos cada dia para o mesmo local ou cômodo tranquilo, ocupai sempre a mesma cadeira ou a mesma cama. Sentai-vos ereto e não vos reclineis em nenhum encosto. Assim o corpo aprende a responder automaticamente até se tornar não-resistente à penetrante influência da Alma.
A meditação prosseguirá mais facilmente e dará melhores frutos se a fizermos nas condições adequadas. Devemos escolher a hora em que ninguém nos perturbe, quando tudo em volta de nós esteja quieto, quando o estômago e órgãos digestivos estejam em repouso, o corpo se sinta bem e o tempo não seja tempestuoso. Se for também possível, adornemos com flores nosso melhor aposento e o perfumemos com incenso. Coloquemos nas paredes apenas belos e sugestivos quadros coloridos. Que esse recinto se converta num santuário que nos ajude a permanecer por algum tempo entre as coisas divinas. Reservemos esse cômodo só para nosso uso pessoal e tanto quanto possível um lugar onde possamos meditar, orar e estudar as coisas do Espírito.
Em pouco tempo notaremos nesse ambiente o começo de uma marca invisível de uma vida mais divina, de maneira que assim que nele penetramos desaparecem de nós as preocupações e aflições da existência mundana. Destarte, escolhamos um lugar onde nossa solidão não seja interrompida, onde insetos e animais não nos incomodem e onde enfim nos possamos sentir em harmonia e paz. Na impossibilidade de obter todas essas condições, consigamos as que forem possíveis. Assim, a primeira regra é reservar uma pequena fração diária de nossa vida, em que possamos dedicar-nos tranquilos e imperturbáveis à prática dos exercícios necessários. De início começaremos com dez minutos, procurando estender esse período até meia hora tão logo sintamos que podemos fazê-lo sem tensão indevida. Meia hora diária já é muito tempo para o ocidental comum despender na meditação e não é aconselhável prolongar esse tempo senão sob a supervisão de um instrutor competente.
Sugeri fazer a meditação na parte da manhã, mas é bem possível a existência de circunstâncias vos impeçam empregar esse período. Se assim for, a hora recomendável é ao por do sol, pois então à mente retorna mais rapidamente a calma interior do que no meio das atividades do dia. Há uma misteriosa qualidade no crepúsculo, que o vincula às grandes correntes espirituais que a Natureza libera em ritmos regulares.
Se não pudermos contar com o crepúsculo, a melhor hora será à noite, antes de nos deitarmos. Se todavia esses três períodos ainda falharem, devemos então procurar meditar em qualquer meia hora roubada ao nosso programa diário.
A fração de tempo que tivermos escolhido para tão alta finalidade deve ser utilizada de maneira que a isole completamente das outras atividades do dia. Em vez de nos ocuparmos com algo que atraia e prenda nossa atenção em assuntos externos, procuremos esquecê-los, pô-los de lado durante todo esse tempo como se nunca houvessem existido, e a dirigir nossos pensamentos e sentimentos com o ideal da calma interior como nossa meta. Até agora talvez tenhamos dado toda a nossa atenção ao mundo externo. O homem que aspire a compreender a si mesmo deve inverter este processo e periodicamente desviar essa atenção para explorar o mundo interno.
Quem aspire a tentar conhecer seu Super-eu deve aprender a recolher-se em sua mente como a tartaruga se recolhe em sua concha. A atenção que até agora tem estado dispersa numa sucessão de objetos externos, deve estar agora concentrada num simples foco interno.
A senda da concentração é fácil de descrever, mas difícil de praticar. O que devemos fazer antes de mais nada é esforçar-nos em afastar da nossa mente todo e qualquer pensamento que não seja a única linha de reflexão que fixamos como o tema de nossa concentração — mas tentemo-la!
O controle do pensamento é difícil de se obter e suas dificuldades nos surpreenderão. Nosso cérebro se rebelará. Tal qual o mar, a mente humana está incessantemente ativa. Mas tal controle pode ser feito.
No centro de nosso ser mora esse Eu maravilhoso, porém para atingi-lo temos de abrir um canal através de todas as touceiras de pensamentos que o cercam e que nos fazem prestar incessante atenção ao mundo material, tomando-o como única realidade. Gostamos tanto de recolher-nos ao nosso interior e deixar a mente repousar em si mesma — não no mundo dos sentimentos físicos — como de sermos despertados ao alarma do despertador, pela manhã.
Nós, os homens modernos, já começamos a dominar a Natureza, mas ainda não aprendemos a dominar-nos a nós mesmos. Ondas infindáveis de pensamentos nos perseguem e oprimem; atormentam-nos durante as insônias da noite e durante todo o dia permanecem grudados sobre nós. Se pudéssemos apenas aprender o segredo do seu domínio e supressão, poderíamos mergulhar-nos num maravilhoso repouso, numa paz semelhante à que, segundo São Paulo, “ultrapassa o entendimento.”
Os cinco sentidos nos prendem ao mundo material como se fossem de goma e querem um contacto físico constante em forma de objetos, pessoas, livros, divertimentos, viagens e atividades de toda espécie. Só podemos matar o inimigo nos momentos em que os sentidos guardam silêncio. Quando tentamos praticar o repouso mental, eles protestam imediatamente e gritam. “Queremos ficar no mundo que conhecemos; temos medo de meditação e desse além desconhecido; é natural que nos agarremos ao mundo da matéria; deixem-nos!” E assim fazem o possível para nos manter presos ao mundo sensorial. É essa a verdadeira razão pela qual cremos que a meditação não nos agrada e nos afastamos dela quando o momento de realizá-la chega. São os nossos sentidos que se opõem e não nós; assim, devemos lutar contra eles e tentar dominá-los! Primeiro vem o esforço mental, depois a quietude compensadora.
Dominar a mente é dominar a si próprio. A alma que controla a maré crescente e sempre ativa dos pensamentos, pode vestir a farda de capitão e dar ordens a toda a Natureza. O poder de manter-se tenazmente numa linha de pensamento, aferrando-se nela como o aguilhão de um escorpião, e sem largá-la — eis o que se chama poder de concentração — a força que faz dos homens VERDADEIROS AMOS E SENHORES DO PENSAMENTO.
Se nos sentimos incapazes de nos concentrar, então um pouco de prática diária nos propiciará a capacidade que nos falta. Os que procuram meditar, nem que seja durante meio hora, com o tempo dominarão a corrente tumultuosa dos seus pensamentos vadios.
Advertência! Quando a debilidade moral e o desequilíbrio emocional se unem às práticas, o resultado será a regressão da mente ao estado de mediunidade e jamais a elevação da mente até a espiritualidade. A prática de meditação não acompanhada do cultivo dos princípios éticos e intelectuais, pode levar a um engano sobre si mesmo, ao aumento de egoísmo, à alucinação e finalmente à loucura.
Recomenda-se portanto ao aspirante não buscar o caminho rápido e fácil para chegar às experiências ditas ocultas, mas sim um cuidadoso enobrecimento do caráter, a firmeza de atacar pela raiz seus erros e um harmonioso equilíbrio entre a intuição, a emoção, o pensamento e a ação.
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